Marcos Joaquim Gonçalves Alves comenta sobre a decisão do STJ em restringir o uso de créditos do ICMS para supermercados

STJ restringe o uso de créditos do ICMS para supermercados.

 

http://direito-publico.jusbrasil.com.br/noticias/2017615/stj-restringe-o-uso-de-creditos-do-icms-para-supermercados

JUSBRASIL – VALOR ECONÔMICO

04/12/2009

 

As redes de supermercados viram frustrada ontem a tentativa de ter reconhecida a possibilidade de uso dos créditos do ICMS referentes à energia elétrica. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que as redes de supermercado Carrefour e Sendas não podem utilizar esses créditos, que na prática reduziriam a carga tributária das empresas.

 

Com o revés no STJ, as empresas apostam agora em um julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter o entendimento, a partir de debate amplo sobre o princípio da não cumulatividade do ICMS. Na corte está para ser julgado um recurso sobre o tema e uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

No entanto, as chances de êxito seriam reduzidas, pois já existem precedentes no Supremo favoráveis ao fisco. A Lei Complementar nº 87, de 1996, a chamada Lei Kandir, alterada em 2000 pela Lei Complementar nº 102 ­ autorizou apenas três situações em que as empresas poderiam aproveitar os créditos do ICMS relativos à compra de energia elétrica.

 

A primeira seria para o caso da energia consumida no processo de industrialização, a segunda quando for objeto de operação de saída de energia elétrica ­ uma empresa distribuidora de energia, por exemplo ­, e a última alternativa seria no caso de exportação. Os supermercados, porém, defendem que possuem atividades industriais, realizadas dentro dos estabelecimentos, que gerariam o direito a esses créditos.

 

Seria o caso, por exemplo, das panificadoras e do sistema desenvolvido para o congelamento de produtos. “A lei complementar de 1996 deu uma interpretação restritiva ao princípio constitucional da não cumulatividade dos impostos”, afirma o advogado Roque Carraza, que atuou na defesa do Sendas. Na ação movida pelo Carrefour, o aproveitamento do ICMS foi pleiteado para período anterior à Lei Complementar nº 87.

 

No processo do Sendas, o pedido de creditamento foi posterior à lei. O entendimento da corte, no entanto, foi o mesmo para os dois casos. O ministro Luiz Fux, relator dos recursos, diz que o regulamento do IPI esclarece a dúvida em relação à caracterização da atividade de panificação e congelamento que ocorre dentro dos supermercados. Pelo regulamento, não é considerado industrial o preparo de produtos alimentares e a embalagem dos mesmos.

 

O voto foi seguido pelos demais ministros e apenas a ministra Eliana Calmon decidiu de forma contrária. Os ministros do STJ decidiram julgar os recursos ainda que o Supremo vá analisar o tema em um recurso extraordinário e uma Adin. No caso do Supremo, porém, os advogados esperam que a discussão seja mais abrangente e que aborde o princípio da não cumulatividade.

 

Para o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, do Mattos Filho Advogados, um entendimento novo sobre esse princípio afetaria os tributos federais, como o PIS, a Cofins e o IPI. “O julgamento pode dar espaço para que sejam revistos velhos dilemas, como o creditamento de produtos com alíquota zero do IPI, já definido pela corte”, diz Marcos Joaquim Gonçalves Alves.

 

Ao reconhecer a repercussão geral do tema, os ministros do STF consideraram que é preciso definir o alcance do princípio constitucional da não cumulatividade, tendo em vista um “sem número” de processos discutindo a matéria na Justiça. O recurso a ser julgado pelo Supremo é de um supermercado de Criciúma, Santa Catarina, que busca o direito ao uso de créditos do ICMS de energia. Segundo o advogado da empresa, Adolfo Manoel da Silva, do escritório que leva o mesmo nome, há uma verdadeira indústria dentro do supermercado, que é a padaria e a confeitaria ­ atividades que consomem mais de 80% da energia elétrica paga pelo supermercado.

 

“Se a mesma estrutura fosse fora do supermercado, teria direito ao creditamento”, diz Silva. Segundo o procurador do Estado de Santa Catarina, Rogério de Luca, a linha de defesa do Estado no Supremo será com relação à não limitação do princípio da não cumulatividade pela lei de 1996 e também pela analogia ao regulamento do IPI.

 

Ao que tudo indica, o Supremo deve julgar este recurso antes da Adin ajuizada pela CNI, cuja liminar concedida foi favorável ao fisco. Em decisões monocráticas, alguns ministros se baseiam na decisão liminar para negar os recursos de empresas que pleiteiam o creditamento do ICMS incidente sobre o valor pago de energia.

Marcos Joaquim Gonçalves Alves fala sobre o ISS para profissionais liberais

ISS é fixo para profissionais liberais.

 

www.sinfac-sp.com.br/v2/content.php?id_page=6&id_content=96

SINFAC – JORNAL VALOR

21/09/2006

 

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Imposto Sobre Serviços (ISS) que incide sobre as sociedades de profissionais liberais deve ser fixo e cobrado por profissional. O entendimento vai contra a tese defendida por diversos municípios a partir de 2003, para os quais o tributo incide sobre o serviço prestado, ou seja, a receita bruta. No caso específico, a corte julgou um recurso que envolve o município de João Pessoa, na Paraíba, e uma sociedade de serviços médicos e de ultra-sonografia.

 

O primeiro precedente do STJ sobre o tema é comemorado por escritórios de advocacia – que pagam ISS – e demais profissionais liberais. Isso porque o recolhimento sobre a receita, cuja alíquota pode chegar a 5%, significa uma tributação muito maior do que àquela permanente e por profissional.

 

A discussão sobre a forma pagamento do ISS pelas sociedades profissionais nasceu a partir da edição da Lei Complementar nº 116, em vigor desde 2003, e que alterou as normas relativas ao ISS. Antes da edição da lei, a norma vigente – o Decreto-lei nº 406, de 1968 – previa no parágrafo 1º do artigo 9º que a prestação de serviços sob a forma de trabalho pessoal não poderia ser calculada com base na remuneração. A Lei Complementar nº 116 revogou expressamente inúmeros artigos do decretos, mas não o artigo 9º. Por isso, os advogados defendem que a forma de recolhimento pelos profissionais liberais seria a prevista no artigo 9º, uma vez que o dispositivo não teria sido revogado. Já os municípios afirmam que a Lei Complementar nº 116 regula inteiramente o ISS, fato que, implicitamente, significaria toda a revogação da legislação anterior.

 

O ministro da segunda turma do STJ, João Otávio Noronha, relator do processo, entendeu que o artigo do decreto não foi revogado pela lei complementar. Segundo ele, o artigo 10 da Lei Complementar nº 116 revogou expressamente vários dispositivos específicos, abstendo-se em relação aos dispositivos que estabeleciam a tributação de ISS por valor fixo. Além disso, o ministro afirma que na redação do do projeto da Lei Complementar nº 116 constava, expressamente, o artigo 9° do Decreto-lei nº 406 como norma a ser revogada pela legislação proposta. “Todavia, o Senado Federal retirou a expressão ”9º” do artigo 10 da lei complementar que se estava por aprovar, revelando manifestação clarividente da intenção de que permaneçam os beneplácitos garantidos por essa legislação”, afirma.

 

O advogado Renato Nunes, do escritório Nunes Sawaya Advogados, afirma que há diversos municípios que estabeleceram a cobrança sobre a receita das sociedades a partir de leis municipais. Ele afirma que São Paulo tentou estipular a cobrança por receita, mas houve reclamações na época. Por isso, segundo ele, o município adotou um sistema diferente de cobrança, que não é por valor fixo e por profissional, mas o da receita presumida. O que, no fim das contas, resulta em uma carga tributária parecida com a sistemática antiga (fixa por profissional). “Imagino que o município esteja esperando o deslinde da questão nos tribunais”, diz. De acordo com ele, caso vença a tese dos municípios, ficará mais fácil para o município de São Paulo promover a transição para a cobrança sobre a receita.

 

O advogado tributarista Marcos Joaquim Gonçalves Alves, do escritório Mattos Filho Advogados, afirma que em Brasília a cobrança ocorre de duas formas. Se o escritório for filial de uma banca instalada em outro Estado, o pagamento ocorre sobre o faturamento obtido em Brasília. Se for ao contrário, ou seja, o escritório está presente apenas em Brasília, a cobrança é por profissional e o valor é fixo. No caso da cobrança sobre receita, afirma, trata-se de uma tributação imprevisível.

advogado-marcos-joaquim-receita-federal

Marcos Joaquim Gonçalves Alves comenta sobre o crédito das multas não poder ser compensado com débito de tributos

Crédito de multas não pode ser compensado com débito de tributos.

 

www.valor.com.br/arquivo/1000045001/credito-de-multas-nao-pode-ser-compensado-com-debito-de-tributos

VALOR ECONÔMICO

12/03/2002

 

A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os créditos decorrentes de multas indevidas aplicadas pela Receita Federal a devedores que confessaram a dívida espontaneamente não podem ser compensados com débitos de tributos e suas parcelas. A decisão frusta uma série de pedidos judiciais de empresas que querem compensar as multas acrescidas no parcelamento de tributos permitido pela Receita quando há denúncia espontânea do débito por parte do contribuinte.

 

De acordo com o advogado Guilherme Cezaroti, do escritório Lacaz Martins, Halembeck, Pereira Neto, Rubinstein, Gurevich e Schoueri, que representou a empresa que pedia a compensação de PIS, a decisão dificulta a utilização dos créditos criados a partir da posição tomada pelo STJ em 2000, que impedia o acréscimo de multas quando a empresa toma a iniciativa de parcelar seu débito fiscal. “As empresas deverão optar por compensar apenas multas com a diferença de valor dos parcelamentos, ou então pedir a compensação por via administrativa”, afirma o advogado, lembrando que a Receita pode demorar até dois anos para analisar um pedido desta natureza.

 

Para o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, do Mattos Filho Advogados Associados, a 1ª Turma do STJ ainda pode decidir a favor do contribuinte, o que levará a 1ª Seção do tribunal, que reúne as duas turmas, a analisar o caso. “Mas acredito que o pedido dos contribuintes está ameaçado, pois a Lei Complementar 104 alterou o artigo 155 do Código Tributário Nacional (CTN), permitindo que apenas antigos casos de parcelamento sejam discutidos”, afirma.