Advocacy Brazil – Legal and Political Analysis of President Teme’s Implication in JBS Kickbacks

As widely reported, the CEO of Brazil’s giant food company JBS Wesley Batista delivered a recording to the Attorney General’s Office indicating that President Michel Temer would have given permission for kickback payments to the family of former Congressman and Speaker of the House Eduardo Cunha with the purpose of dissuading him from presenting a plea bargain. Such conduct of the President may be interpreted as an attempt to obstruct Justice, which is legally prohibited.

Given the importance of the disclosures, here follows a legal and political analysis of the matter.

Legal Analysis of possible constitutional unfolding:

❖ Resignation: an act of the President, it implies immediate withdrawal and vacancy of office.

❖ Impeachment: in case of “political responsibility” crime, the Senate will judge the President; in case of regular crime, the Federal Supreme Court (STF) will rule. In either case, processing depends on the admission of the prosecution by two thirds of the Chamber of Deputies. Today, there is no formal complaint against the President yet, but the STF authorized the Federal Police to investigate him.

❖ Nullification of the Dilma-Temer election: a lawsuit started in 2014 under the Superior Electoral Court (“TSE”) under the accusation of abuse of economic and political power during the electoral campaign. Trial is scheduled to resume on June 6.

If any of the above situations materializes, there shall be either direct or indirect elections to replace the President. In case of vacancy, direct elections should take place within 90 (ninety) days. If vacancy occurs within the last two years of office, there will be indirect elections.

In other words, according to the Constitution, if there is a vacancy (due to resignation, impeachment or removal from office for a regular), indirect elections must be held by Congress and carried out by secret ballot.

According to the Electoral Code as recently amended, direct elections would take place in case of annulment of the election by a ruling of the Electoral Court, if vacancy occurs more than 6 (six) months before the end of the mandate (which is the case). However, the constitutionality of this provision is debated and in case it is declared unconstitutional, indirect elections would apply.

Aside from this, any proposal for direct elections requires amending the Constitution, as suggests Constitutional Amendment Proposition No. 227/2016, by Rep. Miro Teixeira (Rede-RJ) currently under discussion at the House of Representatives.

In any of these cases, after vacancy and before the new President takes office, Interim President would be the Speaker of the House of Representatives, the Speaker of the Senate or the Chief Justice of the Supreme Court in this order. Accordingly, Rep. Rodrigo Maia (Speaker of the House) would be the first in line to exercise the Presidency.

It is also worth noting that, according to the Supreme Court decision in ADPF 402, one of the conditions to succeed the President is to be free of responding for criminal charges. As such, if any of the authorities in the succession line is charged for criminal offense, Presidency will be assigned to the next in line.

Political Analysis

In a public speech, President Temer ruled out the possibility of resigning. Such decision could however be reconsidered, depending on whether the recordings are perceived to incriminate him.

As in former President Dilma’s case, an impeachment process would require assessing regular procedural steps and possible interventions of the Supreme Court, with a special attention to the positioning of congressmen towards
the President. At this point, the role of the Speaker of the House in launching the impeachment process is highlighted and it is important to note his declared support for President Temer.

In any of the abovementioned cases, it is likely that the President will intensify his defense in the lawsuit in which the nullification of the election is discussed to force a separate trial with regards to former President Dilma. Undeniably, a favorable Electoral Court decision would strengthen him politically.

Above all, an important factor to be considered is the stance taken by the Parliament. Although Congress is highly composed of government supporters, an independent and unified position of the Legislative Branch should prevail.

There are rumors that a nonpartisan parliamentary group is under way dedicated to continuing the advancement of the government agenda and political and economic reforms.

At the same time, there are already some signs of allies distancing themselves from President Temer, for example with the resignation of the Minister Roberto Freire (PPS-SP); as well as with Senator Ronaldo Caiado (DEM-GO)’s statement advocating for new elections.

On this point, the nucleus next to Speaker Rodrigo Maia is aligned with the thesis of indirect elections, what could give birth to a process of nominations to dispute office.

The fact is that all these possibilities create instability in public activity, generating procedural discussions that consume time in the governmental agenda, besides generating insecurity in the progress of negotiations for the approval of legislative proposals. As an example, it is worth remembering that during the impeachment process of former President Dilma, the number of proposals appreciated in Congress reduced significantly, since congressmen were dedicated to the solution of the institutional crisis. Such behavior is also observed in other spheres of government, such as ministries and regulatory agencies, which seek to retain bold measures
precisely because of institutional instability.

A clear a sign of stagnation in parliamentary activity, Senator Ricardo Ferraço (PSDB-ES) suspended the calendar of discussions on the Labor Reform, of which he is Rapporteur. The same was done by Dep. Arthur Maia (PPS-BA), the Rapporteur of the Pension Reform.

On a different perspective, the political scenario may facilitate the Political Reform, which can be easily related to the recent accusation and needs to be approved in due time to dictate the rules for the 2018 elections.

M.J. Alves e Burle
Advocacy Brasil

M.J. Alves e Burle Advogados e Consultores Advocacy Brasil analisa a denúncia contra o Presidente Temer – Projeções Pós Votação na Câmara

Há poucos dias, a Câmara dos Deputados deliberou sobre a Solicitação para Instauração de Processo (SIP no 1/2017) contra o Presidente Michel Temer, no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), com a finalidade de se apurar acusação da prática de corrupção passiva.

Nesta ocasião, para que esta Solicitação fosse aprovada, seria necessário o voto de 2/3 (dois terços) dos membros da Casa, isto é, mínimo de 342 (trezentos e quarenta e dois votos), conforme art. 86 da Constituição Federal, o que acabou não ocorrendo. O resultado foi a rejeição da proposição por 263 (duzentos e sessenta e três) votos a 227 (duzentos e vinte e sete), com 2 (duas) abstenções, determinando-se o arquivamento do feito.

Nos dias que antecederam a votação, considerando o comportamento parlamentar e partidário, circulou a informação de que o Governo certamente conseguiria reunir os votos necessários a rejeitar a proposta, o que foi admitido até mesmo pelos partidos de oposição, ainda antes da deliberação, restando saber qual seria o excedente de votos em relação ao mínimo exigido. Esta margem de vitória do Presidente Temer, sob certa ótica, pode ser vista como medida de sua força política, na proporção em que, quanto maior o excedente, mais fortalecido ele sairia deste imbróglio.

Pois bem.

Consolidado o resultado, os principais atores da base governista se prontificaram a verbalizar esta força, tomando-se a questão como resolvida e adotando-se um discurso para o futuro, na busca de avanços na agenda governamental. Nesta agenda, o Governo já assumiu como prioridade a aprovação das reformas previdenciária e tributária no Congresso Nacional.

Nesse contexto, em termos de análises e projeções políticas, o que importa é visualizar e mensurar a chance de êxito na implementação destas reformas, como forma de se medir também a governabilidade e a estabilidade do País, tanto política quanto econômica.

Para a construção destas projeções, com base na recente votação, o primeiro fator a ser considerado é o comportamento dos partidos e a possibilidade de sua variação de acordo com as próximas matérias a serem apreciadas no parlamento. Esta quantificação de votos é ainda mais importante para a reforma previdenciária, objeto de Proposta de Emenda Constitucional (PEC no 287/2016), que exige aprovação por 3/5 (três quintos) dos membros da Casa em que estiver tramitando (308 votos na Câmara e 49 no Senado), em dois turnos de votação (art. 60, § 2o, da Constituição).

Na análise deste comportamento parlamentar, entendemos que serão determinantes duas espécies de fidelidade (ou coerência) partidária. A primeira, observando-se quais partidos da base votarão conforme deseja o Governo; a segunda, dentro do partido da base, estimando-se a quantidade de parlamentares que votarão conforme a orientação de seu partido.

Na votação da SIP no 1/2017, verificou-se um alto índice de infidelidade dentro dos partidos que compõem a base governista. Em outras palavras, muitos parlamentares, em tese, aliados ao Presidente Temer, votaram a favor da instauração do processo, motivo pelo qual o placar da votação não foi tão elástico quanto o Governo estimava.

Para ilustrar, quanto aos principais partidos da base, foi constatado que 6 (seis) deputados do PMDB (partido do Presidente Temer) votaram pela instauração do processo, ou seja, contra o Presidente; 6 (seis) do DEM, 7 (sete) do PP, 9 (nove) do PR, 7 (sete) do PRB, 14 (catorze) no PSD, 6 (seis) do Solidariedade e 2 (dois) no PTB. A maior dissidência na base ocorreu no PSDB, onde 21 (vinte e um) deputados votaram contra o Presidente e 22 a favor, sendo que orientação do partido era pela instauração do processo.

Com este cenário, o Governo parece ter capacidade de angariar votos para a aprovação das reformas, sobretudo porque há parlamentares que já declararam apoio à questão previdenciária. De uma conta rápida sobre os números acima, a grosso modo, há cerca de 50 (cinquenta) votos com tendência de migrarem para a direção do Governo.

Será necessário, portanto, observar a capacidade de manutenção da base governista e a própria coerência partidária ao longo dos próximos meses, inclusive diante de variações incidentais no ambiente político. Neste ponto, como exemplo, vale lembrar que um novo pedido de instauração de processo contra o Presidente Temer deve chegar em breve à Câmara dos Deputados, com as acusações de participação em organização criminosa e obstrução à justiça, conforme já foi anunciado pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot.

Considerando estas variáveis, a aprovação da reforma previdenciária exigirá grande esforço de articulação por parte dos aliados do Presidente Temer, tendo em vista o quórum elevado exigido pela Constituição Federal.

Nesse sentido, é oportuno retornar ao placar da votação da denúncia, ressaltando que, dos 263 (duzentos e sessenta e três) votos favoráveis ao Presidente Temer, faltam 45 (quarenta e cinco) para se atingir o mínimo de 308 (trezentos e oito) exigidos à aprovação da reforma da previdência.

Ao lado disto, apuramos que o Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia não pretende incluir esta matéria na pauta do Plenário enquanto não vislumbrar certa margem de votos favoráveis à proposição, a fim de se evitar um desgaste institucional no processo de discussão e uma frustração na condução da agenda governamental.

Portanto, a nosso ver, estes são os principais fatores a serem considerados para se estimar a possibilidade de aprovação das reformas estruturantes e de outras matérias de interesse do Governo.

M.J. Alves e Burle
Advocacy Brasil